A Nous Research, laboratório de código aberto e criador do agente Hermes, diz ter levantado US$ 90 milhões. A informação está em um texto no site da própria empresa, assinado pelo CEO, Dillon Rolnick. No mesmo texto, a companhia promete o Hermes for Businesses, uma versão do agente para empresas. O dinheiro é anúncio; o produto ainda é promessa.
O dinheiro: um número que só a empresa confirma
Os US$ 90 milhões são declaração da Nous. Não encontramos confirmação de investidores nem de outra fonte independente. O próprio texto chama o valor de “modesto” para os padrões atuais de captação.
O comunicado cita como investidores NVIDIA, M12 (braço de investimentos da Microsoft), Samsung, Union Square Ventures e Y Combinator, “além de outros”. Não diz quem liderou a rodada nem quanto cada um colocou.
Em julho, a The Block relatou que a TechCrunch, citando fontes internas não identificadas, apurou uma rodada de pelo menos US$ 75 milhões em negociação. É outro momento e outro número, e nenhuma fonte explica a diferença.
O produto: uma versão para empresas, ainda sem preço
O Hermes for Businesses, segundo a empresa, permitiria que cada organização monte e controle o próprio sistema de IA, escolha os modelos que quer usar e organize o conhecimento interno. A tese da Nous é que quem usa a IA deve ter controle sobre ela. Na nossa leitura, isso contrasta com o uso padrão dos modelos principais de OpenAI e Google, hospedados pelo fornecedor.
A empresa diz que vai construir e entregar o produto, mas não informa preço, data de lançamento nem parceiros. Também afirma que ele permitirá usar IA “com segurança e privacidade”. Por enquanto é só promessa: o texto não explica como os dados serão tratados.
O que isso muda para uma empresa
Por ora, quase nada. Quem decide sobre IA ainda não tem como comparar o Hermes for Businesses com o que já usa, porque faltam respostas básicas: onde o produto roda, quem o opera, quanto custa e quando começa.
Nossa leitura
A notícia não justifica mudar planos. A lista de investidores mostra que fabricantes de chips e grandes empresas de tecnologia aceitam financiar o laboratório, mas isso é sinal sobre a empresa, não sobre a qualidade do produto. O argumento comercial da Nous é controle, não desempenho.
A ideia de controle interessa a quem hesita em enviar documentos jurídicos, financeiros ou de saúde a um fornecedor externo. Na nossa leitura, porém, soluções desse tipo costumam exigir equipe técnica ou parceiro para operar; o comunicado não diz como o produto será operado. Ganha, por ora, quem já tem time de tecnologia e quer depender menos de um único fornecedor; fica de fora quem precisa de um produto pronto, com contrato e suporte.
Também vale lembrar que a própria empresa chama a captação de modesta e não diz por quanto tempo o caixa dura. Quem pensar em contrato de longo prazo com uma startup de IA deve exigir garantias de continuidade.
O que fazer
Acompanhar, não contratar. Três sinais mudariam essa avaliação: preço e prazo publicados, uma política clara de uso de dados e um primeiro cliente disposto a falar em nome próprio. Até lá, coloque a Nous na lista de observação e guarde as quatro perguntas acima.
Fontes
- Nous Research, “A note on our fundraise”, Dillon Rolnick, CEO, outubro de 2026. https://nousresearch.com/a-note-on-our-fundraise (acesso em 08/10/2026)
- The Block, relato sobre rodada em negociação, reportando a TechCrunch, 14/07/2026. https://www.theblock.co/post/408237 (acesso em 08/10/2026)