Desde 7 de outubro, qualquer pessoa pode enviar uma imagem, um vídeo ou um áudio ao SynthID Detector, do Google, e saber se o arquivo tem uma marca d’água invisível de IA. A ferramenta existia desde 2025, mas só para jornalistas e pesquisadores em lista de espera. Agora o acesso é aberto e global, mas por enquanto só em inglês.
O que a ferramenta faz
O Google põe uma marca invisível, chamada SynthID, em conteúdo criado por suas ferramentas de IA. Ninguém vê, mas um programa consegue ler. O detector procura essa marca no arquivo que você enviar e diz se ela está lá.
O Google não informou se é preciso ter conta, nem o tamanho máximo dos arquivos. Também não disse quando haverá versão em português.
O que só o Google afirma
Quase tudo o que se sabe da abertura vem do próprio Google. A empresa diz que mais de 180 bilhões de imagens e vídeos já foram marcados e que os recursos de verificação no Search, no Gemini e no Chrome atendem mais de 1 milhão de pedidos por dia. Esse milhão não é do portal novo, e o Google não divulga quanto ele é usado.
A empresa afirma ainda que o detector reconhece conteúdo de parceiros que usam o SynthID: OpenAI, NVIDIA e Kakao, e em breve a Apple. Não encontramos confirmação dessas empresas.
Quanto dá para confiar no resultado
Ainda não há teste independente do portal aberto. O mais próximo é uma checagem da agência Lead Stories, em julho, que mostrou o Gemini repetindo a resposta do primeiro arquivo para arquivos diferentes; o Google disse que corrigiu o erro.
Também não encontramos taxa de acerto divulgada. O detector só reconhece marcas do SynthID, então o que vier de uma ferramenta que não usa essa marca passa sem ser notado.
Nossa leitura
A ferramenta serve para uma primeira triagem, mas não para dar a palavra final. Se a marca aparece, é um bom sinal de que houve IA. Se não aparece, isso não prova que o conteúdo é autêntico: ele pode ter sido feito por outra ferramenta ou alterado depois. A lógica deve ser a mesma em outros detectores desse tipo, e isso é leitura nossa.
Quem mais ganha são as áreas de comunicação, jurídico, segurança e atendimento, que ganham um jeito simples de olhar um áudio atribuído a um executivo ou uma imagem suspeita circulando em grupos. Fica de fora, por ora, quem trabalha em português.
O que fazer
Use o detector como uma consulta a mais, não como veredito. Se achar a marca, trate como indício forte e registre de onde veio o arquivo. Se não achar, confirme com a fonte original, a data e o contexto. Antes de enviar material sigiloso da empresa, vale entender como o Google trata os arquivos, algo que ele ainda não esclareceu.
Vale também definir desde já a política de transparência da empresa: se uma peça foi feita com uma ferramenta que usa o SynthID, qualquer pessoa pode descobrir isso (leitura nossa).
Fontes
- Google DeepMind (blog.google), Pushmeet Kohli, 07/10/2026. https://blog.google/innovation-and-ai/models-and-research/google-deepmind/synth-id-ai-content/ (acesso em 08/10/2026)
- Google, anúncio do SynthID Detector, 20/05/2025. https://blog.google/innovation-and-ai/products/google-synthid-ai-content-detector/ (acesso em 08/10/2026)
- Lead Stories, análise sobre a verificação do SynthID no Gemini, 13 a 18/07/2026. https://leadstories.com/analysis/2026/07/google-gemini-synthid-detector-confuses-results-within-same-chat.html (acesso em 08/10/2026)